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Entenda o que vai puxar o crescimento do leite no Brasil

21/03/2022

Entenda o que vai puxar o crescimento do leite no Brasil
Crescimento da população brasileira até 2030, melhora da economia e aumento das exportações são algumas das apostas dos especialistas para o setor

Traçar o cenário atual da produção leiteira e todas as suas dificuldades é o primeiro passo para entender o futuro do setor. O Jornal Cotrijal edição especial da Expodireto trouxe uma análise aprofundada dos efeitos da estiagem e o que será determinante para a atividade se reerguer. Spoiler: o futuro é promissor! Abaixo, a segunda parte da reportagem. Acesse aqui a versão completa do Jornal Cotrijal.

 

O ano começou com cautela para o produtor de leite, mas a expectativa dos especialistas é de que o setor supere as dificuldades já nos próximos meses. Para o decorrer da década, os prognósticos são ainda mais animadores, o que inclui melhora da economia nacional, aumento do mercado interno e exportações. 

O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, observa uma queda na produção em razão do próprio desestímulo à classe produtora. “Essa diminuição da produção vem gerando agora, na segunda quinzena de fevereiro, perspectivas de alta de preço pago ao produtor. Ou seja, é a velha lei da oferta e da demanda. Temos observado que o leite está reagindo”, afirma.

Ao mesmo tempo em que a cadeia está se ajustando, Borges relata que a qualidade do leite vem aumentando no país. No início da pandemia, entraram em vigor as Instruções Normativas 76 e 77, que tratam das etapas da produção de leite cru refrigerado, pasteurizado e do tipo A, desde o início até a qualidade final do produto. 

Porém, o presidente da Abraleite ressalta que ainda é preciso enfrentar problemas sanitários, custo de produção e, sobretudo, buscar a exoneração de impostos em cascata.

“A Abraleite encontra dificuldade grande com o Ministério da Economia. O Ministério da Agricultura é parceiro, ouve nossas pautas, mas quando chega na Economia, nossos pedidos ficam parados e não vão para frente. Isso atrapalha muito e dificulta o crescimento da cadeia. Alguns ajustes precisam ser feitos para que o Brasil possa ser um grande exportador de lácteos e alcance melhor equilíbrio no mercado interno”, disse Borges.


Guerra e exportações

O economista Paulo do Carmo Martins projeta que a safrinha de milho deverá reduzir os custos da alimentação dos animais, o que deve melhorar a margem dos produtores. Mas é o mercado internacional que detém sua atenção.

“Eu acredito que o preço vai reagir ao longo do ano porque no mercado internacional os preços são recordes. Então, vamos ter uma elevação de preço de leite no Brasil e é possível que o país exporte leite este ano, para países que dependem de produtos que não estão na esfera dos Estados Unidos e da Europa, em razão do conflito entre Rússia e Ucrânia”, avalia Martins.

O economista lembra que Europa e Estados Unidos não têm como aumentar a produção. A África, que teria condições de crescer no setor, enfrenta problemas regionais e de tecnologia (confira na tabela a previsão de produção mundial). Já o Brasil tem tudo a seu favor. Existe a previsão de que a população no país cresça até 2030, além de uma possível melhora na renda do consumidor nos próximos anos. “Esses dois fenômenos vão puxar o crescimento do leite no setor”, pontua Martins.


Otimismo e cautela

O supervisor da CCGL, Luis Otávio da Costa de Lima, também demonstra otimismo quando analisa o mercado externo. “O Brasil tem uma grande oportunidade para exportação. Os preços internacionais são atrativos, com um câmbio favorável. Devemos ter um bom ano e estamos trabalhando para isso. Há um aumento na demanda mundial e a oferta não está acompanhando”, afirma.

Contudo, Lima avalia que é preciso ter cautela quanto ao mercado doméstico. O especialista lembra que o leite é um item básico e tem maior pressão e apelo da população para que não tenha seu custo elevado.

 

Para seguir firme no leite, invista no cooperativismo

Para atravessar a crise do setor e se manter forte no mercado, o primeiro passo é  investir forte no sistema cooperativo. Em época de margens curtas, o ideal é não cortar custos, o que gera queda na média de produção e provocará menor lucratividade lá na frente.

“É vital estar vinculado às cooperativas, que levam tecnologia ao produtor. A tecnologia 4.0 atrai a permanência dos filhos na atividade e torna a tomada de decisão mais precisa. Além disso, a automação já começa a ocorrer e diminui a pressão da mão de obra. Quem estiver em sintonia com os novos tempos seguirá na atividade”, relata o economista Paulo do Carmo Martins.

O produtor está exposto às leis do mercado e não tem como, por exemplo, diminuir os preços de insumos. Porém, a realidade muda quando promove a gestão profissional da propriedade. O leite reage ao crescimento, quanto mais se produz mais se reduz os custos, o que leva a comprar insumos mais baratos e a vender o leite com maior lucro. 

“O grande desafio para se manter na atividade é o equilíbrio: utilizar os insumos na melhor forma, no melhor momento, para que sejam convertidos em produção e elevar a eficiência como um todo. A gestão do processo é fundamental, associada a uma gestão financeira de monitoramento e controle de onde investir os recursos”, afirma o supervisor da CCGL, Luis Otávio da Costa de Lima.

 

Fique atento à escala

Quantos litros de leite por hectare sua propriedade produz? Pense nisso. Manter a eficiência produtiva alta significa fazer bem-feito, manter os manejos em dia e manter uma reserva financeira na crise. Lembre-se, por mais perfeita que seja a tempestade, a intempérie sempre passa.

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