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Aumento da produção de leite passará pela genética

18/04/2012

Para que no futuro se possa ordenhar leite com maior concentração de proteínas e validade prolongada, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estuda formas de manipular geneticamente o embrião bovino. Hoje, companhias privadas, como a Pfizer, já conseguem mapear o DNA de algumas raças de boi. Mas os avanços nesse campo carecem de recursos públicos e parecem estar atrasados no segmento da pecuária leiteira.

"Ainda não estamos perto dos resultados. Podemos até produzir esses animais [que produzam leite com mais proteína e longevidade], mas não atingiriam escala. Estamos trabalhando um método eficiente de produção", disse o pesquisador Luís Sérgio Carvalho, da Embrapa Gado de Leite, explicando que o desafio da pesquisa é descobrir um meio de fazer cessarem os danos causados ao feto bovino durante os estudos. "Muitas das gestações ainda são abortadas no método que utilizamos."

Questões éticas e de crivo oficial também estão no caminho das pesquisas - afinal, o que se está tentando fazer é transformar a origem da vida bovina e, com isso, determinar o volume e o tipo de leite que a vaca irá produzir. "Procuramos aprimorar as tecnologias que já existem e identificar possíveis novas tecnologias", explicou Carvalho.

Com uma pergunta, levantou os objetivos da empreitada científica: "O que inserir no embrião que possa servir à sociedade?"

Os resultados, segundo o pesquisador, trariam benefícios para os segmentos pecuário e de laticínios. "Imagine que uma indústria de queijo queira produzir uma peça com mais proteínas e menor volume de leite. Será possível", afirmou Carvalho. O ramo farmacêutico também poderia ser beneficiado com a descoberta de métodos para selecionar elementos de valor medicinal, como a insulina, no leite bovino - o que já está sendo feito na Argentina, de acordo com Carvalho.

Mas, aparentemente, o orçamento da Embrapa não corresponde à magnitude das pesquisas. São R$ 700 mil para dividir entre quatro laboratórios (três da empresa e um da Universidade Estadual do Ceará) em três anos de estudo, de acordo com Carvalho. O financiamento é baseado em editais e no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).

Mapeamento

O que se tem hoje, já em fase de comercialização, é o mapeamento genético de algumas raças bovinas. A Pfizer, por exemplo, oferece desde março um serviço de análise de DNA das fêmeas de três raças: holandês, jersey e pardo suíço. Ao custo de R$ 150, o produtor recebe um kit, extrai o material e envia para a companhia, que devolve um diagnóstico.

"É uma ferramenta para identificar fêmeas jovens com maior potencial genético em várias características", explicou o gerente de Marketing da área de genética bovina da companhia, Pablo Paiva. Segundo ele, o objetivo do mapeamento é "concentrar os esforços em animais com maior mérito genético, identificar as fêmeas mais adequadas para tecnologias reprodutivas e permitir a identificação dos pontos negativos que podem ser melhorados nas gerações futuras".

Alimentação em 1º lugar Para o coordenador do programa Balde Cheio, Artur Camargo, "antes de pensar em genética, é preciso primeiro alimentar bem o animal". A iniciativa da Embrapa conta com três mil produtores, assistidos por 500 técnicos de extensão rural, e se propõe a disseminar boas práticas pecuaristas, como recuperação de solo, silagem e rodízio de culturas.

DCI - Diário do Comércio & Indústria