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Especialistas em doenças discutem ferrugens do trigo

28/03/2012

Um grupo de 40 especialistas em doenças de plantas esteve reunido na Embrapa Trigo, dias 20 e 21, no Workshop “Projeto Ferrugens do Trigo” para discutir estratégias da pesquisa no controle das ferrugens que afetam a cultura. A doença pode causar perdas superiores a 70% no trigo e exigir até três aplicações de fungicidas para o controle.

O trigo pode ser afetado por três tipos de ferrugens: da folha, do colmo e linear,. No Brasil, a ferrugem da folha é a mais comum, causada por um fungo com grande capacidade destrutiva, que leva à redução na qualidade e no rendimento de grãos. O agente causador, Puccinia triticina, se diferencia em uma grande variedade de raças, registradas pelos pesquisadores. As constantes alterações na população do fungo têm dificultado o desenvolvimento de cultivares resistentes, ou seja, são disponibilizadas ao produtor apenas cultivares com resistência de curta duração que, a cada nova mutação do fungo, perdem a resistência e o trigo volta a ser atacado. Quase anualmente, 1 a 3 raças "novas" são detectadas. O atual desafio dos pesquisadores é aumentar o período em que a cultivar permanece resistente.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Trigo, Márcia Chaves, o objetivo do Workshop foi apresentar os resultados do projeto "Resistência Genética às Ferrugens da Folha e do Colmo como Fator de Sustentabilidade da Triticultura no Brasil", desenvolvido no período 2008/2011. Entre os principais resultados alcançados estão o detalhamento na análise no comportamento da população do fungo no Brasil; a caracterização de linhagens com resistência durável; e a identificação dos genes de resistência. "Nem sempre o melhoramento consegue chegar na planta ideal. A resistência do tipo durável à ferrugem da folha foi há muito tempo identificada na cultivar de trigo Toropi, mas essa cultivar não tem qualidade industrial que atenda aos quesitos para panificação, ou rendimento satisfatório na lavoura", explica a pesquisadora. Dentre os desafios da pesquisa, está a transferência desta resistência para materiais altamente produtivos e com demais aspectos agronômicos desejáveis.

Além do corpo técnico da Embrapa Trigo, participaram do Workshop profissionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (UNICENTRO), Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola (COODETEC), e CCGL/Fundacep. O evento contou, ainda, com a presença da pesquisadora Lesley Boyd, do John Innes Center, da Inglaterra, a qual também veio ao Brasil com a finalidade de formatar um projeto em parceria entre os dois países.

Agrolink com informações de assessoria