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COLHEITA: Cuidado com a desuniformidade da lavoura

27/03/2012

Consultor alerta para o risco de perdas e quebra de grãos nesta safra

A colheita é uma das operações mais importantes no processo produtivo da soja. Nela estão envolvidos o capital máquina e o capital cultura. Por isso, essa etapa envolve uma série de cuidados, especialmente para evitar perdas de grãos. Nesta safra, devido à estiagem, o professor e consultor Plínio Pacheco Pinheiro, com vasta experiência na área de mecanização agrícola, alerta que a desuniformidade de altura das plantas, de volume de massa e até de maturação vai ampliar a necessidade de atenção. Ele recomenda a manutenção do equipamento de acordo com as condições da lavoura.

O Brasil perdeu 80 milhões de sacas de soja devido a problemas na colheita na safra 2010/2011. Isso representa, segundo Pinheiro, 2 sacas por hectare, volume considerado muito elevado, mesmo diante da produtividade recorde registrada em vários pontos do país. Tomando por base um preço médio de R$ 42,00 por saca, são mais de R$ 3 bilhões que deixaram de circular no país. "É muito dinheiro que o produtor deixou de ganhar", afirma. "Sem contar que esse valor poderia ter gerado benefícios para a economia como um todo, nas áreas de educação, saúde, entre outras".

No final da década de 1990, as perdas na colheita chegaram a ser reduzidas para 0,75 saca por hectare, devido a ampla campanha realizada pelo governo federal junto aos produtores, técnicos e demais segmentos envolvidos com a atividade. O volume é aceitável, conforme o consultor, mas poderia ser ainda menor, de no máximo 0,5 saca/hectare, levando em conta resultados práticos alcançados por ele nas lavouras onde presta assistência.

Além da perda quantitativa, é muito comum a perda qualitativa, ou seja, a quebra do grão, não computada pelos órgãos oficiais, mas que, de acordo com Pinheiro, tem também trazido grande prejuízo ao produtor.
Manutenção precede a regulagem

O primeiro passo para reduzir perdas, tanto em volume de grãos quanto na qualidade, é fazer a adequada manutenção do equipamento, com especial atenção para o sistema de captação e corte (plataforma). Somente depois disso se faz a regulagem. "Se a colhedora não estiver preparada para aceitar regulagem, dificilmente vamos ter uma colheita dentro de padrão aceitável", afirma Pinheiro.

O molinete, explica o professor, é o principal componente originador de perdas. Acima de 80% das perdas da última safra ocorreram porque os grãos não entraram na máquina. A manutenção desse sistema não estava adequada e houve problemas com a operacionalidade (velocidade de trabalho e do molinete). "Se o produto não entra bem na máquina, além de perda, a falta de volume de massa dentro do sistema industrial (trilha, separação e limpeza) acarreta sobra de rotação no cilindro, de rotação de ventilador e ar", alerta. "Em consequência, os grãos vão para retrilha, causando quebra, ou são jogados fora na separação e limpeza".

O segundo originador de perdas é o sistema de corte e o terceiro, o saca-palhas e as peneiras. O produtor/operador, com frequência, preocupa-se em regular peneira e ar, pois é ali que visualiza as perdas, mas na maioria das vezes a causa não está nesse setor e sim nos componentes que processam a cultura na fase anterior. O professor lembra que até chegar ao sistema de trilha existe um só produto (a planta). A partir da trilha, do côncavo e do cilindro, a planta transforma-se em dois produtos (grão e palha), seguindo caminhos específicos. O caminho do grão é o côncavo, bandejão e peneira. O caminho da palha é o saca-palhas e dali para fora da máquina.

Equipamento novo também precisa de ajuste

As colhedoras hoje disponíveis no mercado evoluíram muito em termos de funcionalidade e componentes. Mesmo assim, a realização de ajustes, ou pelo menos a necessidade de verificação destes, é indispensável, conforme o professor. E na hora da compra, o produtor deve exigir assistência técnica da empresa vendedora. "Algumas coisas já podem ser ajustadas na entrega técnica", ressalta.

A Expodireto Cotrijal, em sua 13ª edição em 2012, vai trazer o que há de mais moderno em colhedoras, das mais variadas marcas. Segundo Pinheiro, a feira é uma ótima oportunidade para o produtor conhecer de forma aprofundada a funcionalidade de cada equipamento, e também o que diferencia um do outro. "Mesmo que não vá comprar uma colhedora, é interessante o produtor conhecer os equipamentos que estão no mercado e as tendências futuras", destaca.

O consultor lembra que é importante, na hora de adquirir a colhedora, o produtor estar seguro de que ela vai estar adequada à necessidade e às condições de sua propriedade. "É interessante obter o máximo de informações sobre o produto que você está adquirindo, com vizinhos, amigos e na própria empresa vendedora", alerta.

Confira essa reportagem completa no Jornal da Cotrijal, edição de fevereiro. Acesse o site www.cotrijal.com.br/jornal/