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Retomada à vista para a cevada no RS

07/02/2011

Produtores da Região do Alto Jacuí, animados com o favorecimento do clima para a cultura, estão retomando a produção de cevada, que há 10 anos ocupava uma área de 21 mil hectares. Hoje, após quatro safras consecutivas prejudicadas pelo clima adverso, a área está reduzida em pouco mais de quatro vezes, chegando a 5 mil ha. Naquele período, produtores colhiam acima de 50 sacas por hectare, mas a qualidade não era boa e, consequentemente, o preço do cereal ficava abaixo do custo de produção.

O gerente de produção da Cotrijal, Gelson de Lima, explica que a previsão é que, na safra 2011, esta área aumente, pelo menos, 30% e, a médio e longo prazo, se estabeleça entre 12 mil a 15 mil hectares na região da cooperativa, que tem sede em Não-Me-Toque e atua em outros 13 municípios da região. "A frustração em quatro safras consecutivas em função das adversidades do clima acabou afetando não só a quantidade como a qualidade dos grãos e fez com que muitos produtores da região desistissem da cultura que, assim como as demais, depende de condições climáticas favoráveis para uma produção rentável". Este ano, o clima ajudou e a safra, colhida em novembro, e que, em sua maioria, teve um rendimento qualitativo e quantitativo considerado bom.

Apesar de não divulgar o índice de produtividade, o gerente ressalta que existe a perspectiva de bons rendimentos para o agricultor que optou pela cultura. "O plantio da cevada é importante para a região e para o produtor, uma vez que se soma às atuais alternativas de culturas de inverno, como o trigo e a canola, que são poucas para a região." Lima acrescenta que a cultura tem todas as condições de fazer parte da produção e a expectativa é que o quadro melhore ainda mais, tendo em vista a preocupação da integradora em oferecer novos benefícios e vantagens, além da possibilidade de aumento da demanda em função de uma indústria cervejeira que irá se instalar em Passo Fundo."

Lima também destaca que a cevada é uma cultura complementar à safra de verão. "É preciso olhar o resultado da propriedade como um todo e a cevada não é uma cultura concorrente com as mais rentáveis, mas torna-se importante devido à capacidade de absorção da indústria."

Para Lima, o cultivo da cevada tem dificuldades que não dependem do produtor, como as adversidades do clima, mas o aumento da área destinada para o grão também esbarra em uma política razoável de preços. "Existe uma grande preocupação por parte do produtor em relação a frustrações na safra. Isso só será resolvido a partir da implementação de uma política de seguro agrícola e de preços." Segundo ele, é somente isso que irá viabilizar o desenvolvimento da produção e favorecer a competitividade e a demanda. Ele ressalta que a AmBev já estuda alternativas para contornar o problema e a expectativa é que novas medidas sejam anunciadas já para a safra 2011. Grão ganha força e importância

cevada ocupa a quinta posição no mundo em ordem de importância econômica e, no Brasil, a maior parte da produção tem como principal destino a indústria cervejeira. Dados da Embrapa apontam que o Rio Grande do Sul ocupa a segunda posição na produção do grão, com cerca de 30 mil ha cultivados. Aproximadamente 85% da produção de cevada do país é direcionada para a industrialização de malte, 7% é reservada para semente e 8% é usada na elaboração de rações, neste último caso quando os grãos não atingem padrão de qualidade cervejeira. Segundo a Emater, as variações de produtividade na região Norte do Estado, nesta safra, ficaram entre 1,9 t/ha a 3,0 t/ha. Em algumas lavouras do Alto Uruguai, a classificação dos grãos apontou que 5% foi destinado à forragem, 15% estavam fora de padrão, restando 80% aptas à produção de malte.

A produção de cevada para a indústria cervejeira requer um maior nível de exigência, com grãos que tenham como características principais a sanidade e o poder germinativo. Segundo o gerente da Cotrijal, Gelson de Lima, é uma cultura que se encaixa muito bem no sistema de produção do Rio Grande do Sul e que, certamente, a tendência é o aumento da área de plantio na região do Alto Jacuí. "As novas cultivares, a pesquisa da Embrapa e a preocupação da integradora em oferecer condições para a produção dão suporte para que a cevada e alcance maiores índices de produtividade e de rentabilidade."

O consumo anual de malte pela indústria brasileira está estimado em 1 milhão de t, sendo 70% da demanda suprida pela importação de malte Argentino, Uruguaio, Canadense ou Euro.

Fonte:Correio do Povo Rural