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Soja louca

07/02/2011

Você já ouviu falar da "soja louca"? E da "soja louca" dois? É um problema que vem trazendo grandes prejuízos para os produtores. As folhas ficam retorcidas e a planta produz menos vagens.

A agricultora Roseli Giachino vistoria a lavoura em sua propriedade no município de Cláudia, norte de Mato Grosso. As folhas retorcidas de algumas plantas são alguns dos sinais da doença conhecida como "soja louca". E esta já é a segunda vez.

Ela perdeu 30% dos talhões na última safra. Este ano, a previsão é de uma perda de 10% nos talhões afetados. Mesmo assim, a agricultora se preocupa. As plantas permanecem verdes no campo. E além de produzir menos vagens, esses pés de soja contribuem para aumentar o teor de impureza na colheita, o que reduz o preço da soja na hora da venda.

Atualmente, não existe uma solução. Pesquisadores ainda tentam descobrir o que pode estar causando este problema. Por isso, é realizado um trabalho em conjunto.

Agrônomos da Embrapa e de várias instituições de pesquisa têm percorrido as plantações recolhendo material pra estudo e estão intrigados, porque uma doença com os mesmos sintomas deu muito trabalho para os produtores na década de 1980.

Naquela época, a causa era o ataque de percevejos, que transmitiam toxinas para a planta. Por isso, os pesquisadores decidiram agora chamar a nova doença de soja louca dois. "É para diferenciar esse ataque do problema antigamente causado por ataque intenso de percevejos, que é não é caso desse problema que estamos vivendo no campo", diz o agrônomo Maurício Méier.

A causa não foi descoberta, mas Méier diz que algumas hipóteses pelo menos já foram descartadas. Não se trata, por exemplo, de uma doença transmitida por vírus nem de problemas provocados por uso inadequado de agrotóxicos.

"Com as demais hipóteses que estão em estudo ainda não conseguimos comprovar a causa do problema, o que dificulta o estabelecimento de uma estratégia de controle", conclui o agrônomo. Além de Mato Grosso, também têm sido observados casos da soja louca em lavouras do Tocantins, Maranhão e Pará.

Globo Rural